terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Deixando milagres para trás...

Imagem via {weheartit}
"E quando acabou de falar, disse a Simão: faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar. E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas porque mandas, lançarei a rede". Lucas 5. 4-5.

O texto de Lucas 5 é bastante conhecido. A pesca maravilhosa. Simão e seus companheiros haviam trabalhado a noite inteira. O trabalho noturno maltrata o corpo e a mente por ser realizado quando deveríamos estar descansando. Estudos comprovam que o fato de não dormir à noite torna a pessoa ranzinza, mal-humorada.

Imagine então o mau humor causado por uma noite inteira de trabalho sem resultados. E quando o dia raiou, ainda havia mais trabalho a ser realizado. Estavam lavando as malditas redes com as quais não pescaram nada quando aquele homem chegou pedindo que o levassem a um local afastado da multidão para que falasse a ela com calma.

Simão guardou dentro de si a frustração, o cansaço e o mau humor e o levou. Esperou com paciência que terminasse de falar e aí sim veio o pedido mais absurdo. Simão sentiu a raiva percorrendo seu corpo. Ele era pescador experiente, conhecia aquele lago há anos e sabia que, se não haviam pescado nada a noite inteira, não adiantava lançar as redes mais uma vez.

Ao mesmo tempo, Simão sentiu algo novo o invadir: a fé. Ouvia falar daquele homem, tinha visto a autoridade com que falava à multidão, ouviu dizer que era o Messias anunciado por Isaías... Controlou-se e deixou bem claro àquele homem que reconhecia a sua autoridade e o obedeceria, mas que, no fundo, não tinha muita esperança de que a pesca daquele dia fosse diferente de toda a noite.

Quando os barcos foram inundados de peixes, Simão envergonhou-se. Teve certeza de que aquele homem havia realizado um milagre em benefício dele e de seus homens cansados. Teve certeza de que aquela fé que começou a arder dentro de si era legítima.

Terminado o espetáculo, Jesus os convida a pescar homens e Simão deixa tudo para trás.  A maior pesca que já haviam realizado, a possibilidade de ganhar muito dinheiro com ela, de se alegrar com aquele milagre. Eles deixaram toda aquela bênção para trás. Sabiam que aquela fartura havia sido proporcionado por Jesus e que, sem ele, todas as demais pescarias poderiam ser apenas cansativas e frustrantes. Um dia, aquele milagre ficaria apenas na memória.

Eles obedeceram a Jesus quando estavam cansados e frustrados; obedeceram a Jesus quando estavam sendo parte de um grande milagre; e, obedeceram a Jeus quando este pediu que deixassem o milagre para trás e o seguissem. Mais do que viver um milagre em suas vidas, eles seguiram, com Jesus, por um caminho de milagres.

Me pergunto se tenho me apegado demais às bênçãos que Deus me concede a ponto de desobedecer ao seu chamado. Se tenho me ocupado demais comercializando os peixes da minha pesca milagrosa enquanto Jesus segue sem a minha decisão de ir logo atrás. Que as bênçãos que Deus nos dá não sejam usadas por nós como impecilho para realizar a sua obra.

Originalmente publicado no Santa Menina.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Eder Barbosa

O primeiro texto do Eder de que consigo me lembrar falava sobre os anos 80. E de tanto comenta cá, não comenta lá, excluí meu blog e ele desabafou.

Incrível imaginar que a nossa amizade surgiu de desaforos.

Daí em diante, me lembro de muitas boas conversas, altas madrugadas...

Lembro de quando ele me ligou; de quando ele descobriu que podia desenhar no MSN; de quando ele me apresentou a Amana, o Zé, o Isa, a Michele, o Fábio e tantos outros blogueiros incríveis, nenhum como ele.

Lembro que ele gosta de pão e tem medo da vaca preta; que fizemos um cartão de Dia dos Namorados juntos e que ele tem dó de mim por eu só ter conhecido o mar depois dos 20 anos.

E assim, vou montando o quadro de lembranças dessa amizade que é mais real que virtual, embora o meio seja digital.


*Esse é um dos textos que mencionei, Eder.

sábado, 23 de outubro de 2010

Depois do expediente

- Tem café?

Amanda assustou-se com a pergunta repentina e derrubou a garrafa térmica no chão.

- Tinha! - respondeu nervosa, enquanto pegava a garrafa quebrada do chão. 

Jurava estar sozinha no escritório. Ninguém costumava ficar até o final do expediente numa sexta-feira. Só ela. Precisava organizar tudo, limpar, deixar menos trabalho pro sábado de manhã, pois no sábado, ela é que saía mais cedo.

Mas nesta sexta, alguém havia ficado e a flagrou retirando as garrafas da recepção.

- Eita, Amanda! Nervosinha... Eu só queria um cafezinho. Não estava te chamando pra sair.

- Seu Valter! Como sempre engraçadinho. Vai mandar o patrão descontar do meu salário?

- Boa ideia!

Amanda engoliu a curiosidade, pegou a bandeja e foi para a cantina. Ficou imaginando o que o filho do patrão estava fazendo lá. Achou melhor não perguntar. Ela sempre tentava ser o mais imperceptível possível. Fez o que tinha que fazer, apagou as luzes e quando terminou de trancar a última porta ficou supresa com o que viu em frente ao elevador.

- Por Deus! O que aconteceu aqui?

Ela correu em direção ao elevador e ficou parada, sem saber o que fazer. Valter estava caído no chão. Parecia consciente, mas não falava nada. Estava coberto de sangue e Amanda não conseguia identificar a origem dele. Sua pasta ao lado, estava aberta, os papéis espalhados pelo hall.

Amanda entrou em desespero. Estavam sozinhos naquele andar. Pensou em arrastá-lo pra dentro do escritório, mas de que adiantaria isso agora? E até cogitou empurrá-lo de vez pra dentro do elevador. Havia uma enfermaria no edifício. A presença de Valter naquele estado dentro do elevador poderia provocar um alvoroço enorme no prédio. Ela não teria como controlar sozinha. Desistiu de ideia. Pensou em voltar ao escritório e ligar pra alguém. A quem pediria ajuda? Polícia? Patrão?

- Ai meu Deus! Seu Valter, o que aconteceu aqui?

Valter estava de bruços, o rosto de lado no chão. Fez um esforço, pôs a mão no bolso e tirou um celular. Pôs no chão e esperou que Amanda entedesse o que ele queria que ela fizesse. Ela entendeu. Pegou o celular e procurou o número do patrão. Ligou pra ele e contou o que estava acontecendo. Pelo menos a parte que ela sabia.

O patrão pediu que Amanda não saísse do lado de Valter.

- Não toque nele, não deixe que se mova... Mas não saia de perto dele! Vou ligar pro médico dele e chamar o resgate, uma ambulância... não sei! Mas não saia do lado dele enquanto o médico não chegar! Entendeu?

- Entendi sim. Pode deixar.

A resposta de Amanda saiu junto com algumas lágrimas. Estava apavorada com todo aquele sangue em volta e a dúvida sobre o que estava acontecendo. Não sabia de nenhuma doença grave do filho do patrão. Também não acreditava que alguém tivesse tentado matá-lo. O que teria acontecido? E logo numa sexta à noite! O que ele estava fazendo no escritório até tão tarde.

- Calma... tá... Vou ficar... bem...

Era ele que estava sussurrando. Tentando sorrir pra ela, naquela situação. 

- Seu Valter, não faz esforço. Fica paradinho pelo amor de Deus!

- Eu não... não... estaria aqui... agora... se...

Amanda sentou-se no chão, esquivando-se do sangue, pra tentar entender o que Valter dizia. Foi encostando o ouvindo mais perto do rosto dele até entender.

- ... se você... tomasse... café comigo...

Ela ergueu o corpo, irritou-se um pouco mas pensou melhor. 

- É, o senhor vai ficar bem mesmo! - Sorriu, abaixou-se novamente e sussurou no ouvido dele: - Mas depois que ficar tudo bem, consegue um aumento pra mim que esse sangue no chão vai sobrar mim, viu, engraçadinho.

Valter sorriu de olhos fechados e Amanda ficou mais calma. Mesmo assim, a espera durou uma eternidade até que os paramédicos chegassem.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010

O Tempo Passou - Elidia Rosa

Gente, esta é a edição do O Tempo Passou mais esperada e comentada no Twitter. Haha. Algumas fotos estão sem a data, mas quem se importa? A gente quer mesmo é acompanhar a evolução desses blogueiros. Preciso confessar que achei a Elidia e a Amana muito parecidas. (De novo a Amana se parece com alguém) Não fisicamente, mas no modo de 'agir'. As duas chegam chegando! Cinco minutos de papo e você já consegue ser amiga de infância delas. rs. Mas a principal semelhança está nas fotos que essas meninas enviaram. Muitas fotos 'gospel'. Essas meninas gostam de igreja, viu. haha




Elidia Rosa é uma blogueira gaúcha,
que tem uma filha iniciada na arte do Paint
e uma foto comprometedora que ainda vou convencê-la a publicar.