sábado, 23 de outubro de 2010

Depois do expediente

- Tem café?

Amanda assustou-se com a pergunta repentina e derrubou a garrafa térmica no chão.

- Tinha! - respondeu nervosa, enquanto pegava a garrafa quebrada do chão. 

Jurava estar sozinha no escritório. Ninguém costumava ficar até o final do expediente numa sexta-feira. Só ela. Precisava organizar tudo, limpar, deixar menos trabalho pro sábado de manhã, pois no sábado, ela é que saía mais cedo.

Mas nesta sexta, alguém havia ficado e a flagrou retirando as garrafas da recepção.

- Eita, Amanda! Nervosinha... Eu só queria um cafezinho. Não estava te chamando pra sair.

- Seu Valter! Como sempre engraçadinho. Vai mandar o patrão descontar do meu salário?

- Boa ideia!

Amanda engoliu a curiosidade, pegou a bandeja e foi para a cantina. Ficou imaginando o que o filho do patrão estava fazendo lá. Achou melhor não perguntar. Ela sempre tentava ser o mais imperceptível possível. Fez o que tinha que fazer, apagou as luzes e quando terminou de trancar a última porta ficou supresa com o que viu em frente ao elevador.

- Por Deus! O que aconteceu aqui?

Ela correu em direção ao elevador e ficou parada, sem saber o que fazer. Valter estava caído no chão. Parecia consciente, mas não falava nada. Estava coberto de sangue e Amanda não conseguia identificar a origem dele. Sua pasta ao lado, estava aberta, os papéis espalhados pelo hall.

Amanda entrou em desespero. Estavam sozinhos naquele andar. Pensou em arrastá-lo pra dentro do escritório, mas de que adiantaria isso agora? E até cogitou empurrá-lo de vez pra dentro do elevador. Havia uma enfermaria no edifício. A presença de Valter naquele estado dentro do elevador poderia provocar um alvoroço enorme no prédio. Ela não teria como controlar sozinha. Desistiu de ideia. Pensou em voltar ao escritório e ligar pra alguém. A quem pediria ajuda? Polícia? Patrão?

- Ai meu Deus! Seu Valter, o que aconteceu aqui?

Valter estava de bruços, o rosto de lado no chão. Fez um esforço, pôs a mão no bolso e tirou um celular. Pôs no chão e esperou que Amanda entedesse o que ele queria que ela fizesse. Ela entendeu. Pegou o celular e procurou o número do patrão. Ligou pra ele e contou o que estava acontecendo. Pelo menos a parte que ela sabia.

O patrão pediu que Amanda não saísse do lado de Valter.

- Não toque nele, não deixe que se mova... Mas não saia de perto dele! Vou ligar pro médico dele e chamar o resgate, uma ambulância... não sei! Mas não saia do lado dele enquanto o médico não chegar! Entendeu?

- Entendi sim. Pode deixar.

A resposta de Amanda saiu junto com algumas lágrimas. Estava apavorada com todo aquele sangue em volta e a dúvida sobre o que estava acontecendo. Não sabia de nenhuma doença grave do filho do patrão. Também não acreditava que alguém tivesse tentado matá-lo. O que teria acontecido? E logo numa sexta à noite! O que ele estava fazendo no escritório até tão tarde.

- Calma... tá... Vou ficar... bem...

Era ele que estava sussurrando. Tentando sorrir pra ela, naquela situação. 

- Seu Valter, não faz esforço. Fica paradinho pelo amor de Deus!

- Eu não... não... estaria aqui... agora... se...

Amanda sentou-se no chão, esquivando-se do sangue, pra tentar entender o que Valter dizia. Foi encostando o ouvindo mais perto do rosto dele até entender.

- ... se você... tomasse... café comigo...

Ela ergueu o corpo, irritou-se um pouco mas pensou melhor. 

- É, o senhor vai ficar bem mesmo! - Sorriu, abaixou-se novamente e sussurou no ouvido dele: - Mas depois que ficar tudo bem, consegue um aumento pra mim que esse sangue no chão vai sobrar mim, viu, engraçadinho.

Valter sorriu de olhos fechados e Amanda ficou mais calma. Mesmo assim, a espera durou uma eternidade até que os paramédicos chegassem.

4 comentários:

Elídia :) disse...

nuss...juro q fiquei nervosa, tenso isso.. muito boa vc na ficção hein mocinha?

disse...

Olá Dianne,nesta segunda feira começarei uma série de entrevistas no meu blog, e o primeiro será o nosso mano claudio Nunes Horacio do Caminho da graça. Venha, vamos conhece-lo melhor. Espero vc lá ok !
Faça suas perguntas. bjs

Eder Barbosa de Melo disse...

Ficção ou realidade? Ou o CD do Pimentas? O que escrevo na ficção tem sempre um pouco de uma situação real, mas o que o doidinho estava fazendo lá mesmo hein?

Kleidianne disse...

Pura ficção! rs Não sei o que ele estava fazendo lá... rsrs não consegui imaginar o resto...